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15/04/2026

Redução de jornada de trabalho para 40 horas custaria R$ 158 bilhões as empresas

Dados mostram que seis em cada dez trabalhadores formais atuam na faixa entre 40 e 44 horas semanais atualmente; agronegócio, varejo, alguns serviços e indústria seriam severamente afetados

R$ 158 bilhões. Esse será o custo sobre a folha de pagamentos de empresas  do País, em um cenário conservador, caso o projeto de reduzir a jornada legal  de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas vá adiante, segundo cálculos feitos pela FecomercioSP com base nos dados da Relação Anual de Informações  Sociais (RAIS) de 2024, do Ministério do Trabalho. Esse montante seria ainda  maior – de R$ 609,6 bilhões – se a proposta de diminuir a jornada para 36 horas  semanais triunfasse.

Para o Sincomércio Baixada Santista e Vale do Ribeira, isso significaria um choque de custos muito elevado para esses  negócios – a maioria formada por Micro, Pequenas e Médias Empresas que dão  a tônica da economia brasileira, e ainda arcam com o grosso dos tributos, em  uma conjuntura de margens apertadas, juros elevados, dificuldade no acesso ao  crédito e burocracia.

O setor de Serviços, por ser maior, seria mais impactado, com elevação de  quase R$ 80 bilhões na sua folha de pagamentos. A indústria (R$ 35 bi) e varejo  (R$ 30,4) bi também seriam severamente afetados pela mudança.

De acordo com a RAIS, cerca de 35,7 milhões de trabalhadores e trabalhadoras  com vínculos formais estão enquadrados na faixa entre 40 e 44 horas semanais  trabalhadas, algo que representa 62% da força de trabalho celetista do Brasil. Vale ressaltar que, nas atividades intensivas de uso de mão de obra, os casos do comércio, logística, construção, atendimento, a jornada de 44 horas é o padrão dominante. Nelas, a execução das atividades depende da presença simultânea de trabalhadores organizados em turnos. Esses segmentos serão mais prejudicados caso a proposta seja aprovada. O agronegócio, por exemplo, tem 92% dos vínculos celetistas enquadrados nessa faixa, a construção civil, 91%. Varejo (89%) e indústria (85%) também possuem parcelas significativas de contratos de trabalho com essa jornada.

Assim, a proposta de diminuir a jornada a 40 horas resultaria em aumento no custo da folha para trabalhadores que, hoje, trabalham 44 horas ou mais por semana. Em termos técnicos, trata-se de redução da quantidade de horas trabalhadas sem diminuição proporcional do salário – o que eleva diretamente o custo da hora trabalhada.

Se hoje um funcionário é contratado para uma jornada de 220 horas (44 horas semanais) por um salário de R$ 2.200, significa que o custo da hora trabalhada é de R$ 10. Caso a jornada seja reduzida para 40 horas (200 horas) e o salário permaneça inalterado, o custo dessa hora subiria 10% para R$ 11. Caso seja aprovada a redução para 36 horas, esse aumento seria de 22,2% para R$ 12,22. Como absorver este custo?

EFEITOS OPERACIONAIS

Além dos impactos econômicos, a redução de jornada exigirá que empregadores reorganizem as escalas de trabalho dos seus colaboradores ao longo da semana. O problema é que, hoje, boa parte dos setores – notadamente o varejo e parcela significativa dos serviços – trabalha todos os dias. É um resultado da própria lógica da economia moderna, em que o empresas e consumidores demandam produtos e serviços todos os dias.

O abastecimento, os serviços de transportes e logística, de saúde, o comércio, entre outras atividades trabalham de maneira praticamente ininterrupta e uma eventual  mudança de escalas reduzirá a disponibilidade de força de trabalho por dia da  semana e isso tende a gerar um desequilíbrio entre demanda de cobertura e  oferta efetiva de trabalho em dias úteis, elevando custos e reduzindo capacidade  de atendimento.

Para o Sincomércio, propostas que busquem melhorar a qualidade de vida dos  trabalhadores são bem-vindas, mas a redução da jornada de trabalho e de  escalas tende a gerar mais impactos negativos do que positivos. Diante do  aumento de custos e da impossibilidade de absorvê-los, as empresas buscarão  alternativas como reduzir contratações, demitir funcionários celetistas e migrar  para modelos de contratação informal, acelerar a automatização, demitir  funcionários mais experientes e de maior salário por trabalhadores com salário  menor, e nos casos em que a presença é do trabalhador é obrigatória, haverá  repasse para os preços, gerando inflação, entre outras consequências  negativas. E nesse último caso, o impacto sobre os serviços públicos está sendo  pouco debatido. Como lidar com a necessidade de cobrir a escala de  profissionais como enfermeiros, motoristas de ônibus, entre outros profissionais?

Para as empresas, na verdade, sobrarão poucas opções: ou terão que reduzir o  horário de operação – cujos impactos serão relevantes sobre a economia –, ou  vão elevar os preços de seus produtos e/ou serviços para compensar essa alta  desse custo do trabalho, ou vão demitir funcionários para manter contas em dia,  já que boa parte delas não terá condição de arcar com uma nova contratação.